• Angelo Davanço

Inteligência Artificial: Ameaça ou oportunidade?

A edição 2 da revista Empreende (dezembro/2018 - janeiro/2019) traz uma matéria especial que produzi sobre a Inteligência Artificial. O trabalho realizado por máquinas já é uma realidade e cabe ao profissional encarar a situação como o fim do seu emprego ou como um desafio a ser vencido. 📷 Freepik



Quando se pensa em Inteligência Artificial (IA), impossível não se lembrar da velha expressão popular: o copo está meio cheio ou meio vazio? No momento em que o trabalho das máquinas já é uma realidade em diversas áreas profissionais, cabe a cada um de nós encarar a situação como uma ameaça ou uma oportunidade.


“Não há como negar que a Inteligência Artificial tem grande impacto no mercado de trabalho, e isso ocorre de duas maneiras. Primeiro, na substituição do trabalho humano. Mas, por outro lado, em uma segunda visão, ela serve como um complemento, tornando determinados profissionais muito mais produtivos”, avalia Felipe Maia Polo, 23 anos, graduando em Economia pela USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto (SP) e presidente fundador do Neuron – Data Science and Artificial Intelligence, grupo que investe na educação para difusão dos conceitos da Ciência de Dados.


Usando o que o (cientista de dados) Andrew Ng fala, como um profissional de uma área em risco, sou a pessoa mais bem posicionada para saber quais são as micro tarefas que compõem a minha profissão. E talvez assim eu possa usar este movimento a meu favor | Fábio Franco Costa, AI Tech Leader

No caso da substituição de humanos por máquinas, Felipe cita como exemplo a introdução dos Chatbots. O mecanismo substitui milhares de profissionais de telemarketing por poucos computadores para realizar atendimento ao cliente em canais e horários que antes não eram possíveis. E o trabalho é tão bem feito que, do outro lado, o cliente às vezes nem percebe que “conversou” com uma máquina ao solicitar um produto, fazer uma reclamação ou cancelar um pedido.


Advogados e contadores em início de carreira, que geralmente realizam processos totalmente manuais, como levantamento de informações em processos e cálculos sobre receitas, despesas e tributos a pagar, também já começam a ser afetados pela IA. Da mesma forma, motoristas de táxi ou por aplicativos e até mesmo entregadores de pizza precisam colocar as barbas de molho. “O carro autônomo já é uma realidade, embora ainda não em uso comercial, mas isso é uma questão de tempo”, prevê Felipe.


Nós reconhecemos emoções. Robôs vão demorar muito tempo para atingir isso. Esta é a principal vantagem competitiva do humano, que precisa ser melhorada cada vez mais | Felipe Maia Polo, Fundador da Neuron

A verdade é que estamos em constante evolução. “O mesmo ocorreu quando os veículos motorizados surgiram. Com o fim das carroças, os ferreiros perderam a sua função”, analisa Lucas Baggio Figueira, 38 anos, professor de Inteligência Artificial nos cursos de Ciência da Computação do Centro Universitário Barão de Mauá e da Fatec (Faculdade de Tecnologia) em Ribeirão Preto (SP).


Para Fábio Franco Costa, 40 anos, AI Tech Leader da Wavy Global (marca para conteúdo móvel e mensageria na América Latina criada pela Movile), muitas profissões se compõem de uma série de pequenas atividades agrupadas e, assim, possíveis de serem substituídas por ferramentas de IA. “O Andrew Ng (cientista da computação e empresário inglês-chinês) tem uma frase famosa onde ele diz que ‘se uma atividade leva menos do que um segundo de pensamento, provavelmente é possível automatizá-la’”, lembra.


O que fazer?


Diante deste cenário, o que os profissionais de hoje devem fazer? Aí depende de como eles enxergam o copo. Se a pessoa vê o copo meio vazio, vai ter que lamentar o fim de uma era nas relações de trabalho e partir para outras atividades. Mas, se o copo estiver meio cheio para ele, o profissional poderá aproveitar a chance que bate à sua porta. “Uma pessoa que trabalha numa área já afetada, ou que será impactada pela IA, precisa acompanhar este tema, ficar atendo às notícias e iniciar, desde já, um reposicionamento e buscar aperfeiçoamento profissional. Isso é fundamental. Por outro lado, um profissional capacitado, com visão crítica sobre o mundo, que se relaciona bem com as pessoas, sempre terá uma oportunidade, pois consegue se moldar bem às novas realidades”, aconselha Felipe.


Novos tempos pedem novas habilidades


A chegada da IA representa uma nova etapa nas relações de trabalho, e isso pede novas habilidades de profissionais que queiram surfar na onda dos novos tempos. “As pessoas devem possuir habilidades sócio emocionais, como curiosidade, conseguir se colocar no lugar do outro, saber liderar times”, avalia Felipe Maia Polo, do Neuron.


Para ele, ocupações que buscam mais interações humanas serão valorizadas. Ele cita como exemplos os terapeutas ocupacionais, os enfermeiros e os médicos. “No caso da medicina, a Inteligência Artificial auxilia na tomada de decisões. Ela nunca vai substituir um bom médico, mas sim complementar sua atuação. Hoje, um algoritmo de IA consegue, ao analisar uma imagem de Raio-X, tirar um diagnóstico muito mais preciso, fornecendo ao profissional informações de qualidade que podem auxiliá-lo em sua tomada de decisão quanto ao melhor protocolo de tratamento”, exemplifica Felipe.


Para o professor Lucas Baggio, se hoje, na maioria das ocupações, se demanda 80% de capacidade operacional e 20% de criação, a IA vem para inverter esta lógica. “Com as máquinas fazendo a parte de operações, o ganho em criatividade será imenso”, avalia.


Já experimentou a IA hoje?


Talvez você não se dê conta, mas a Inteligência Artificial já está presente no dia a dia da maioria das pessoas. Quando o Facebook sugere páginas para você curtir, o Spotfy indica músicas ou a Netflix mostra filmes que podem ser de seu interesse, não é um batalhão de curiosos por seus gostos pessoais que está em ação, mas sim algoritmos de IA que, ao acompanharem seu comportamento nas redes, sabem exatamente aquilo que você gostaria de conhecer como novidade. | Angelo Davanço

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